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Nutrição

O Que é a Dieta Sirtfood?

O Que é a Dieta Sirtfood?
Emily Wilcock
Escritor1 ano Atrás
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O tema das dietas está perpetuamente na moda. Dietas novas (e por vezes duvidosas) parecem estar sempre a aparecer, e a Sirtfood é uma das mais recentes a tornar-se assunto de conversa.

Foi desenvolvida em 2015 por dois nutricionistas, Aidan Goggins e Glen Matten. Eles sugerem que a sua dieta “influencia a capacidade do corpo para queimar gordura e estimula o sistema metabólico”.1 A dieta Sirtfood baseia-se em comer alimentos específicos (chamados sirtfoods, ou alimentos "sirt"), que estimulam a produção de proteínas chamadas sirtuínas no nosso corpo. Sirt significa Proteína Reguladora de Informação Silenciosa, do inglês Silent Information Regulator Protein.

A ciência proposta que está por trás deste conceito assenta na influência destes alimentos sobre as proteínas “sirt”. São sete proteínas ao todo (S1 a S7) e cada uma tem funções metabólicas específicas.

A S1 está associada ao processamento da gordura e à perda de peso. Os criadores da dieta sugerem que esta proteína ativa os efeitos do “gene do emagrecimento” no organismo.  Estes efeitos são os mesmos que estão mais comummente associados ao jejum e ao exercício. Ajudam o corpo a queimar gordura, aumentam a massa muscular e melhoram o nosso bem-estar.

Os dois autores acreditam que comer alimentos sirt não só ativa estes genes como ajuda a estabilizar os açúcares do sangue e a combater os processos inflamatórios. As sirtuínas foram também identificadas como um fator importante no combate ao envelhecimento.

Mas haverá provas que sustentem estas ideias? Vamos analisar a questão um pouco mais profundamente.

 

O que é a Dieta Sirtfood?

Esta nova dieta baseia-se no consumo de alimentos que podem interagir com uma família de proteínas conhecidas como sirtuínas (SIRT1-SIRT7).2 Este grupo de sete proteínas tem um papel observável na regulação de algumas funções corporais, incluindo o metabolismo, os processos inflamatórios e o aumento da esperança de vida (isto é, combate ao envelhecimento).3

Há duas fases na dieta, que dura um total de três semanas. Depois de terminado este período, podemos continuar a fazer refeições ricas em Sirtfood.

Durante os primeiros 3 dias, o consumo de calorias é limitado a 1000kcal por dia e consiste em sumos verdes, mais refeições regulares ricas em alimentos ‘sirt’. Nos dias 4 a 7, a ingestão de calorias é aumentada para 1500kcal e consiste em dois sumos e duas refeições.

O plano alimentar consiste em aumentar o consumo de alimentos sirt. O que inclui:

  • Vinho tinto
  • Couve-crespa
  • Framboesas
  • Cebola
  • Soja
  • Salsa
  • Azeite extra virgem
  • Chocolate preto (85% cacau)
  • Chá verde de matcha
  • Trigo sarraceno
  • Curcuma
  • Nozes
  • Eruca vesicaria
  • Malagueta olho-de-pássaro
  • Levístico
  • Tâmaras medjool
  • Chicória-vermelha
  • Mirtilos
  • Alcaparras
  • Café
Semana 1:
  • Consumo limitado a 1000kcal por dia
  • Beber três sumos verdes sirtfood por dia
  • Comer uma refeição rica em alimentos sirt por dia
  • O livro que lançou a dieta inclui receitas recomendadas
Semana 2:
  • Aumentar o consumo para 1500kcal por dia
  • Beber dois sumos verdes sirtfood por dia
  • Comer duas refeições ricas em alimentos sirt por dia

 

É recomendado pela dieta o consumo de cerca de 10 porções de alimentos sirt por dia para perda de peso e 5 para manutenção.

Uma grande parte da dieta consiste nos sumos verdes, que contêm 75g de couve crespa, 30g de eruca vesicaria, meia maçã verde, 1cm de gengibre, 2 talos de aipo, meio limão, 5g de salsa e ½ c. de chá de matcha, e são feitos num liquidificador.

O plano de dieta Sirtfood funciona aparentemente em duas vertentes.

A primeira é a estimulação dos genes associados às sirtuínas, que se propõe influenciarem a capacidade do corpo para queimar gordura e estimular o sistema metabólico. Há dados que mostram o benefícios de compostos bioativos presentes em alimentos vegetais, incluindo os que são recomendados nesta dieta.4 Estes compostos podem ser encontrados em uvas vermelhas (resveratrol) e no chá verde (epigalocatequina galato).5

A segunda vertente é a restrição de calorias por 3 semanas, para um nível que fica abaixo da taxa metabólica basal da maioria da população.

 

Os factos

Esta dieta é rica em alimentos que representam muitos benefícios, como o chá verde, a curcuma, muitos vegetais como a couve crespa, a cebola, a salsa, frutos como os mirtilos e muitos alimentos anti-inflamatórios, como as nozes e o azeite. Do ponto de vista da densidade nutricional, alimentos que contêm altos níveis de sirtuínas também fornecem bons níveis de nutrientes que estão associados de um modo geral ao nosso bem-estar. Contudo, manter esta dieta específica durante muito tempo poderia ser extremamente difícil.

Do ponto de vista científico, sabemos de muito pouco que corrobore as ideias. Os testes que existem foram feitos sobretudo em ratos, e não é legítimo assumir que pesquisa feita em ratos, levedura e células estaminais humanas tenha qualquer efeito na saúde humana no mundo real.6, 7

O défice calórico funcionará para a maioria das pessoas, no que toca à perda de peso. Se comermos apenas 1000kcal por dia, isso fica abaixo do nível metabólico basal da maioria das pessoas. É claro, a redução de calorias, muitas das quais de hidratos de carbono, resultará na perda rápida de glicogénio (a forma sob a qual o organismo armazena hidratos de carbono) nos músculos esqueletais e no fígado. Por cada grama de glicogénio há aproximadamente 2,7 gramas de água.8 Por isso, paralelamente a todo o glicogénio que perdemos, também será eliminada água – pelo que não é surpresa ver a balança marcar menos.

Mais dúvidas surgem quando consideramos algumas das ideias específicas que são propostas. Perdas de 3 quilogramas por semana são pouco realistas e é pouco provável que reflitam alterações ao nível de gordura corporal.

 

O veredicto

Até haver mais dados que suportem as ideias desta dieta, teremos de a classificar como ficção-científica.

Há alguma investigação em laboratório9 que mostra que as sirtuínas podem ter um efeito anti-envelhecimento, mas estes estudos foram feitos em ratos, células estaminais humanas e ratazanas, não em pessoas.

Se restringirmos o nosso consumo de calorias, quer comamos alimentos sirt ou não, perderemos peso. É claro, optar por vegetais e frutos, em vez de comer bolo, só contribui para a nossa saúde e bem-estar.

No todo, não há investigação suficiente para determinar se alguma das propostas da dieta Sirtfood realmente funciona.

Infelizmente, restringir as calorias para menos do que é a taxa metabólica de base da maioria das pessoas pode ter efeitos negativos, por eventualmente fazer o organismo baixar esta taxa em reação, para poupar energia. Isto significa que, quanto voltarmos a comer como habitualmente, provavelmente ganharemos peso.10

Para podermos tirar conclusões baseadas em dados concretos sobre se esta dieta é superior a uma dieta de restrição de calorias regular, mais estudos terão de ser feitos em seres humanos.

É sempre importante recordar que a melhor dieta para perda de peso é a que vai ao encontro das tuas necessidades nutricionais, promove a tua saúde e bem-estar e consegues manter a longo prazo. A dieta dos alimentos sirt não parece, infelizmente, enquadrar-se nestes critérios.

 

 

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Os nossos artigos têm propósitos unicamente informativos e educativos e não devem ser usados como conselho médico. Se tem alguma preocupação, consulte um profissional de saúde antes de tomar suplementos nutricionais ou introduzir quaisquer alterações significativas na sua dieta.

[1] http://www.thesirtfooddiet.com/about/

[2] Libert S, Guarente L. Metabolic and neuropsychiatric effects of calorie restriction and sirtuins. Annu Rev Physiol. 2013;75:669-84. doi: 10.1146/annurev-physiol-030212-183800. Epub 2012 Oct 1. PMID: 23043250; PMCID: PMC3570673.

[3] Libert S, Guarente L. Metabolic and neuropsychiatric effects of calorie restriction and sirtuins. Annu Rev Physiol. 2013;75:669-84. doi: 10.1146/annurev-physiol-030212-183800. Epub 2012 Oct 1. PMID: 23043250; PMCID: PMC3570673.

[4] Pallauf K, Giller K, Huebbe P, Rimbach G. Nutrition and healthy ageing: calorie restriction or polyphenol-rich “MediterrAsian” diet? Oxid Med Cell Longev. 2013;2013:707421. doi: 10.1155/2013/707421. Epub 2013 Aug 28. PMID: 24069505; PMCID: PMC3771427.

[5] Rahnasto-Rilla, M., Tyni, J., Huovinen, M. et al. Natural polyphenols as sirtuin 6 modulators. Sci Rep 8, 4163 (2018). https://doi.org/10.1038/s41598-018-22388-5

[6] Giblin W, Skinner ME, Lombard DB. Sirtuins: guardians of mammalian healthspan. Trends Genet. 2014 Jul;30(7):271-86. doi: 10.1016/j.tig.2014.04.007. Epub 2014 May 28. PMID: 24877878; PMCID: PMC4077918.

[7] Chang HC, Guarente L. SIRT1 and other sirtuins in metabolism. Trends Endocrinol Metab. 2014 Mar;25(3):138-45. doi: 10.1016/j.tem.2013.12.001. Epub 2013 Dec 30. PMID: 24388149; PMCID: PMC3943707.

[8] Kreitzman SN, Coxon AY, Szaz KF. Glycogen storage: illusions of easy weight loss, excessive weight regain, and distortions in estimates of body composition. Am J Clin Nutr. 1992 Jul;56(1 Suppl):292S-293S. doi: 10.1093/ajcn/56.1.292S. PMID: 1615908.

[9] Kanfi Y, Naiman S, Amir G, Peshti V, Zinman G, Nahum L, Bar-Joseph Z, Cohen HY. The sirtuin SIRT6 regulates lifespan in male mice. Nature. 2012 Feb 22;483(7388):218-21. doi: 10.1038/nature10815. PMID: 22367546.

[10] Müller MJ, Enderle J, Bosy-Westphal A. Changes in Energy Expenditure with Weight Gain and Weight Loss in Humans. Curr Obes Rep. 2016 Dec;5(4):413-423. doi: 10.1007/s13679-016-0237-4. PMID: 27739007; PMCID: PMC5097076.

After completing an internship with Myprotein, Emily returned to university to finish her Bachelor of Science degree in Business Management and Marketing. With experience in lifestyle writing, Emily aims to entertain and educate through her work. Her focuses include recipes, real and inspiring stories, and working with writers to help provide easy-to-digest evidence-based research. Her work on recipes has been previously featured in The Supplement magazine, with a particular focus on high-protein, nutritious meals, plus advice on how to properly fuel your body. Outside of work, Emily’s top priority is food. She’s a self-professed star baker and a connoisseur of all things baked. In her spare time, she’s either cooking up a storm, our looking out for the opportunity to try out Manchester’s newest restaurants. But as a huge fan of carbs, if it’s not pasta or pasta-adjacent, she’s not interested. If she’s not in the kitchen, she’s tucked up with a book for an early night, or you’ll find her in the gym working up a sweat. Afterall, all those carbs require quite the appetite.
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